domingo, 5 de agosto de 2012

BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE - CRÍTICA (parte I)

Por: Tamiris K. Bernardino

Obs:  Este artigo contém revelações sobre o enredo (spoilers). 


Fiquei surpresa ao assistir ao filme “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”. Inicialmente por causa dos efeitos especiais, que foram muitos durante a exibição. Depois, por causa do enredo propriamente dito e das mensagens subliminares.
O filme se baseia numa vingança contra a cidade de Gotham, onde o Batman reside. Os vilões voltam à cidade para completar o plano de destruição de Ra’s Al Ghul (Cabeça do Diabo, em árabe). Analisando os personagens, não é difícil perceber sua origem árabe. Apesar de não ser dito claramente durante a história, os trajes e traços físicos são a marca da intenção xenofóbica americana. A principal vilã desse terceiro filme – Talia – é filha de Ra’s Al Ghul e de uma nobre descendente de árabes e chineses. Nascida numa prisão em um local parecido com um deserto, ela monta um exército de homens de turbante que planejam destruir Gotham.
É impressionante notar que os EUA ainda não perderam seu costume de subjugar uma etnia inteira. Desconsiderando suas outras amostras de etnocentrismo e destacando apenas esse último filme do Batman, é fácil apontar sua visão preconceituosa. Heróis americanos que salvam o povo de vilões árabes? Sinto muito, mas acho que esse tipo de visão está, no mínimo, ultrapassado. Falam até em terrorismo no filme. Mais uma prova de que os estadunidenses fazem questão de associar o terrorismo ao mundo árabe, enquanto acontecem ataques terroristas provindos de todo lugar do mundo. E quanto ao homem que abriu fogo em um cinema americano a menos de duas semanas? Não se trata de terrorismo?
Que os ianques querem criar um estereótipo para mascarar suas intenções promíscuas, isso nós já sabemos. Temos agora apenas que tomar cuidado para não nos tornarmos objeto de manipulação deles.

2 comentários:

  1. Bem que traços árabes Liam Neeson e Marion Cotillard tem? Acho que essa mania de ver politicagem e mensagens conquistadora em tudo pode acabar cegando um pouco. Ra’s Al Ghul e Talia são personagens dos quadrinhos e não foram meramente inventados para o filme, se for olhar os quadrinhos eles tem origem oriental/arabe sim, mas se for olhar os filmes, eles são claramente mais europeus que árabes, Ra’s Al Ghul é uma designação, e apesar de ter treinamento de ninjas (orientais), no primeiro filme ele diz que seu era Henri Ducard, considerando o aspecto caucasiano de Neeson, é mais provável que esse fosse o seu nome verdadeiro. Mas bem de que isso importa, esse filme era uma continuação e usou o vilão e agregados do primeiro filme, e não vi essa dominância que vc fala, esse foi um vilão que foi escolhido para não repetir os que já tinham usado em filmes que afundaram a franquia. E agora não podem usar mais vilões orientais por ser político? Ahh paciência, em tempo os vilões dos outros filmes são: O espantalho ( um psiquiatra norte americano), o coringa ( também norte-americano), o duas caras (um cara loiro e do bem norte americano que muda de lado), além de mafiosos de nacionalidade norte-americana, alguns de origem italiana, ou russa, norte-americana e etc, agora porque nesse ultimo filme a história de Ra's tomou destaque, e por causa do nome oriental,já que o ator não era, e o público mais comum nem deve ter reparado o fato do nome ser arabe, o diretor quer mostrar o dominio norte americano sobre os arabes? Preconceito é seu, não dele. Talvez seria melhor ver os outros filmes e ler quadrinhos para tentar situar as coisas de melhor forma. Batman é um personagem bem diferente de alguns herois que louvam o estilo de vida norte-americano, na verdade ele é um cara que tinha tudo para ter uma vida perfeita, sendo bem rico, mas que teve os pais assassinados por causa da violencia e problemas sociais da sua cidade, mostrando que a vida de qualquer um pode ser destruida, e dessa forma ele luta contra a corrupção e tenta limpar a sua cidade decadente.

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  2. Cíntia,
    Não sei se percebeu, mas em momento algum fiz análise da parte superficial do enredo do Batman. Tudo o que você explicitou me pareceu ser o que está claro e evidente deurante a trilogia. Não falei nada que fosse absurdo, pelo contrário, qualquer pessoa que tenha imparcialidade e uma visão um pouco mais profunda sobre o filme perceberá as várias mensagens subliminares. OBVIAMENTE não falei sobre traços árabes nos próprios atores, mas sim de sua maquiagem, o jeito que se vestem e coisas parecidas (penso que os recursos atuais são vários para deixar qualquer pessoa parecida com qualquer etnia). Além disso, não estou criticando o filme e seus efeitos especiais bonitinhos. Falo de algo muito mais profundo, que envolve a humanidade num manto de soberba americana. Notei esse abuso ianque em outros filmes também. O mais recente de que me lembro era o próprio Capitão América, com todo seu requinte, fazendo uma imagem diabólica dos russos. Coincidência? Não creio. Ainda mais se formos entrar no mérito das histórias em quadrinhos estadunidenses, que sempre foram recheadas de mensagens xenofóbicas e etnocêntricas. Entenda, não estou discutindo sob a ótica da pessoa do Batman, que nem existe. Já passei da fase de idolatrar personagens como se fossem reais. Apenas estou criticando a mente subversiva de quem o escreveu. Infelizmente, há quem não enxergue o preconceito, mas eu, sendo descendente de árabes, não posso fingir que não estou vendo tamanho absurdo. Aliás, qualquer brasileiro devia ter esse tipo de visão desde as mensagens subliminares já comprovadas pelos próprios ianques nos tempos do pica-pau. É uma pena que a manipulação seja tão forte que faça com que a maior parte das pessoas passem por esse tipo de manifestação racista e nem se deem conta. Não é mania de perseguição, é apenas um pouco mais de realismo.

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