segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ROYALTIES PARA OS ÍNDIOS

por Tamiris El-Khouri Bernardino

Pergunta que não cala: para onde os índios irão com os royalties? O ser humano que vive na floresta tem um tipo de sobrevivência que lhe é totalmente peculiar. Ele não tem os hábitos de um ser que mora no que apelidamos de "civilização". Conceder royalties aos índios é ótimo, mas eles têm que permanecer na floresta. Aliás, parece paradoxal oferecer dinheiro a quem tem o modo de vida baseado na caça, na pesca e na agricultura de subsistência. O mais parecido com o comércio em seu cotidiano é a permuta entre os próprios indígenas.
O problema na verdade não são os índios. A questão é que o Brasil se acostumou a ver a energia hidrelétrica como a única possibilidade de progresso. As usina hidrelétricas até hoje são tidas como símbolo de energia limpa, quando isso não é a realidade. Com as milhares de árvores que são cobertas pela água, morre também a possibilidade de cura de muitas doenças, que poderia ser encontrada na própria vegetação do local. Ademais, as plantas que antes sequestravam o gás carbônico atmosférico, minimizando os efeitos maléficos dele, passam a liberar novamente o dióxido de carbono, intensificando o efeito estufa.
Resta saber: será que só há essa via de aquisição de energia? Claro que não. O Brasil, com toda a sua imensidade territorial, é composto por vários tipos climáticos característicos de cada bioma e que possuem potenciais energéticos diferentes. As energias eólica e solar são, sem dúvida, as menos aproveitadas dentro do país. Dizem ser por causa do preço. Mas será que não vale a pena o Estado investir um pouco mais para ter uma energia consideravelmente mais limpa e que condiz com a realidade da sociedade e da cultura brasileira? 
 
 

foto: Internet



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