sexta-feira, 9 de novembro de 2012

AUDIÊNCIA DE PRIVATIZAÇÃO DO MARACANÃ VIRA MANIFESTAÇÃO POPULAR

Manifestantes populares, deputados e moradores indígenas da Aldeia Maracanã, entre outros segmentos da sociedade, participaram ontem da audiência marcada para privatizar o Maracanã. O evento foi marcado por muita tensão, pois os manifestantes, desde cedo, haviam solicitado que a audiência fosse cancelada.
Mesmo sob fortes protestos, o secretário Regis Fitchner deu prosseguimento à audiência e declarou: "Não voltaremos atrás em nenhuma decisão. Os que protestaram são um grupo pequeno, uma minoria."
O secretário acrescentou que o edital, definindo quem administrará o Maracanã pelos próximos 35 anos, será publicado em 10 dias.
É uma roubalheira sem tamanho, nunca vista antes. Depois de investimentos da ordem de R$ 1 bilhão, o (des)Governador Sérgio Cabral resolve presentear o Maracanã. Quem será o beneficiário? Será o bilionário Eike?



















Hoje às 01h04


Protesto, bate-boca e confusão na audiência para privatizar o Maracanã


Secretário apela ao guarda-chuva para se defender das bolinhas de papel e até fezes

 

Jornal do Brasil  Igor Mello
O encontro foi comandado pelo secretário estadual da Casa Civil, Regis Fichtner, hostilizado ao ponto de protagonizar uma cena pitoresca: recorreu ao guarda-chuva para evitar as bolinhas de papel, copos de plástico, água e até fezes.
 
 
 
A audiência já começou em clima tenso, devido aos protestos das diversas organizações e grupos representativos que compareceram no Galpão da Cidadania, na Gamboa, para o evento. Estavam por lá o Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, o movimento Meu Rio, os índios da Aldeia Maracanã, organizações de torcedores, assim como pais, alunos e funcionários da Escola Municipal Friedenreich, que, por estar dentro do Maracanã, será demolida.
 
 
 
 
No início, Gustavo Mehl, um dos organizadores do Comitê Popular, levantou questão de ordem, questionando a validade da audiência uma vez que ela se dispunha apenas a debater o regime de concessão, sem admitir a hipótese de discutir se o Maracanã deve ser privatizado. A partir da negativa de Fichtner, o público acirrou ainda mais a disputa. Gritando ininterruptamente palavras de ordem e pedindo o cancelamento do encontro, a plateia por vezes calou o secretário, durante sua curta explanação, de menos de cinco minutos.
Ao receber o microfone, o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB) também questionou a validade daquele ato: "Não há clima para realizar a audiência. Seria de bom senso que ela fosse cancelada. O governo cumpre apenas uma formalidade burocrática e não ouve os anseios da população", afirmou.
Mas não sensibilizou Fichtner que de pronto retrucou: "O Estado não permitirá que, por conta de algumas pessoas, esse ato democrático seja cancelado”, definiu, se referindo aos manifestantes.
Após receber o microfone, a também deputada Clarissa Garotinho (PR),outra a apoiar os movimentos sociais, definiu o evento como "uma vergonha": "O Maracanã é um bem público e precisa continuar sendo público. Vocês estão dando o estádio de presente depois do governo investir R$ 1 bilhão. Essa audiência não representa nada", bradou.
Confusão com deputados
Pouco depois, chegaram Paulo Ramos (PDT), Janira Rocha (PSOL) e Aspásia Camargo (PV) que não foram, contudo, convidados a ficar no espaço reservado aos membros do governo, tal como ocorreu com Clarissa e Luiz Paulo.
Indignado, Paulo Ramos tentou entrar no local destinado às autoridades do Executivo, mas foi impedido de maneira truculenta por seguranças. O bate-boca, com direito à troca de empurrões, quase fez com que alguns presentes fossem às vias de fato com o grupo que barrava a entrada.
Ao ter a palavra, Ramos contra-atacou, também pedindo o cancelamento da reunião: "Se a finalidade da audiência pública é ouvir o público, a resposta está aí", alfinetou.
 
Mas a atitude mais inusitada veio de Janira Rocha. A deputada de oposição conclamou: "Se o microfone serve para que o povo fale, então ele vai para o meio do povo", disse, antes de arremessar o aparelho na direção dos manifestantes, que o usaram para entoar seus cânticos.
 
 
 
Opressão de Cabral a Cabral
Diversos representantes de movimentos sociais disseram, em suas explanações, que o governo preferia favorecer os grupos econômicos que vão assumir o estádio - notadamente o bilionário Eike Batista, que já manifestou o interesse de administrá-lo - em detrimento da população. Foi o caso de Miguel Lago, um dos líderes do Meu Rio:
"O governo deve ter prioridades. E deveria priorizar os 400 alunos da Escola Municipal Friedenreich do que o joelho do Messi, que vai alongar na área de aquecimento que será construída no local hoje ocupado pela escola", questionou.
O cacique Carlos Tucano, líder dos indígenas que vivem no antigo Museu do Índio, prometeu constranger o governo de Sérgio Cabral perante o mundo:
"Eu quero ser consultado, como cidadão brasileiro e indígena. Vivemos sob opressão de Cabral a Cabral", comentou, numa referência irônica ao descobrimento do Brasil pelos portugueses, com Pedro Alvares Cabral. "Não vamos arredar pé, criaremos um fato internacional e vocês vão ficar muito mal vistos perante todo o mundo", prometeu.
Parlamentares vão recorrer à Justiça
Os parlamentares presentes pretende acionar outros colegas de oposição para, juntos, tomarem providências com vistas a anular a audiência pública e promover debate sobre as propostas que deveriam ter sido discutidas.
A ideia do grupo é acionar o Ministério Público ou optar por recorrer direto ao judiciário, algo ainda a ser estudado. Eles creem que o governo ratificará a audiência, exigência legal para que o edital de licitação tenha validade, mesmo sem que seu objetivo institucional tenha sido alcançado:
"Vocês duvidam que o governo agirá com tamanho cinismo? É exatamente isso que vai acontecer", sintetizou Paulo Ramos.
 
 
 
Clarissa Garotinho defendeu a realização de um plesbicito para que a pop
ulação fluminense seja consultada efetivamente sobre o destino do Maracanã. Segundo ela, essa é a única forma, já que Fichtner insistiu em classificar os movimentos sociais como "minoria" e dizer que "não representam a vontade da população do Rio".


 

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