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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

MINISTRA ELIANA CALMON COMENTA SUA PASSAGEM PELO CNJ

por Julieta El-Khouri
 
A ministra Eliana Calmon já foi substituida no CNJ, mas deixou sua marca como grande magistrada. Sua luta no combate às irregularidades no Judiciário foi fundamental.  
Ao deixar o cargo, a ministra defendeu a substituição no judiciário de PM's ligados a milícias armadas.
Veja a seguir.



notícias.terra.com

Juízes ameaçados ficam à deriva de desembargadores, diz Calmon

05 de setembro de 2012 • 12h47 • atualizado às 13h43

 

Depois de dois anos de mandato, a ministra faz um balanço de sua gestão no CNJ. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Depois de dois anos de mandato, a ministra faz um balanço de sua gestão no CNJ
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

 
Fernando Diniz
Direto de Brasília


De saída do cargo de corregedora nacional de Justiça, a ministra Eliana Calmon defendeu nesta quarta-feira esforços para retirar dos tribunais policiais militares ligados a milícias armadas. Relatora do processo envolvendo uma suposta omissão do ex-presidente Luiz Zveiter no caso do assassinato da juíza Patrícia Acioli, Calmon disse que os juízes de primeira instância deixam de receber segurança enquanto as famílias dos desembargadores recebem proteção até para ir a jogos de futebol e show.
"Os tribunais têm de fazer uma investigação para evitar que nos serviços de segurança dos tribunais sejam ligados a milícias. Nós estamos encontrando alguns militares ligados a milícias e que estão ligados à segurança dos tribunais. Isso que é preocupante e eu não tive força para fazer a deflagração de tudo isso", disse Calmon, que participou de sua última sessão como corregedora na terça-feira.
Para a ministra, os juízes de primeira instância, que julgam milicianos, ficam à deriva de desembargadores e não recebem a segurança adequada. "É muita segurança aos desembargadores e os juízes ficam à deriva", disse. "No caso da Patrícia Acioli, a inteligência da Polícia Federal já avisava desde 2009 que ela estava jurada de morte, que ela ia ser morta pelas milícias. Não acreditaram. Em um tribunal que tem 100 PMs para a segurança, nós encontramos (...) depoimentos dizendo o seguinte: nós temos policiais que acompanham filhos desembargador para jogo de futebol, shows noturnos. Porque, se o pai está ameaçado, o filho vai para show. E muitas vezes não se acredita que o magistrado precise de segurança, magistrado que julga as milícias", afirmou Eliana Calmon, que não conseguiu colocar o caso em votação ontem no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na sessão, o advogado de Zveiter, Márcio Thomaz Bastos, pediu o adiamento do processo porque Calmon teria retirado outra juíza citada no processo sem dar prazo para a defesa refazer sua fundamentação. Após a questão de ordem, conselheiros afirmaram não ter tido acesso aos autos do processo, por causa de um problema técnico no sistema processual, adiando a decisão sobre o caso.
Apesar da pane no sistema, Calmon afirmou que já esperava que o processo não fosse julgado, por causa da influência do desembargador. "Eu esperava que eu não julgasse o processo do Rio de Janeiro, que foi pedido pela família de Patrícia Acioli. Eu já esperava. Eu tenho 34 anos de magistratura e eu sou sabida. Então eu sei o que é um processo contra uma pessoa que tem importância social. O Brasil ainda é um País em que a importância social e as elites econômicas ainda têm um grade peso", disse.
Ao falar da segurança, Eliana Calmon lembrou o caso de uma juíza que foi ameaçada de morte em Pernambuco e ganhou um carro blindado apreendido de um traficante após a interferência do CNJ. "la estava julgando milícias, estava com mais de 400 processos conclusos para sentença de júri. Ele estava sozinha em um prédio caindo aos pedaços e não tinha respaldo do tribunal", afirmou.
 
'Avalanche' de pedidos de vista
Também na sessão de ontem, Calmon colocou em julgamento uma série de pedidos de investigação de magistrados por causa de evolução patrimonial suspeita, o que ela considera inédito no CNJ. Seus relatórios, no entanto, foram seguidos do que ela chamou de uma "avalanche de pedidos de vista", paralisando os processos.
"Eu não digo que foi frustrante, porque foi uma tentativa que eu fiz. Eu não tinha dúvida de que, no Brasil, mexer com patrimônio ainda é uma coisa muito séria. Porque nós ficamos sempre na investigação periférica. Como o País ainda é muito ligado ao patrimonialismo, parece que a gente desestabiliza o bom senso das pessoas", disse. "A gente fica frustrada e perplexa quando a gente tem segurança de uma coisa. E tanto eu como meus juízes auxiliares tínhamos segurança de que estávamos enfrentando, pela primeira vez, uma coisa desafiadora", acrescentou.
Calmon ressaltou, no entanto, que os pedidos de vista não partem de uma posição corporativista dos conselheiros. "Não falo de corporativismo, eu falo de perplexidade por parte dos conselheiros. Os conselheiros nunca viram uma investigação patrimonial. A investigação patrimonial é algo matemático, não tem porque fazer ilações de ordem jurídica", disse.

Oito juízes afastados
Calmon divulgou que, em sua gestão, foram abertos 11 processos administrativos disciplinares contra juízes e desembargadores, oito deles afastados preventivamente. No mandato de dois anos, a corregedoria inspecionou dez tribunais de Justiça, incluindo os maiores do País: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.


 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

MINISTRA ELIANA CALMON DIZ QUE STF SERÁ AVALIADO PELO POVO

por Julieta El-Khouri

Causa polêmica a declaração da Ministra Eliana Calmon de que os ministros do Supremo serão avaliados pelo povo quando do julgamento do mensalão. Segundo a Ministra, a opinião pública, que aguarda há muitos anos pelo julgamento do mensalão, extrapolará a sentença a ser exarada e atingirá diretamente os detentores da decisão: os Ministros do STF.

Mas, parece que a declaração não agradou aos Ministros: "Quem é ela para dizer que seremos julgados? O Supremo não é passível de sugestões, muito menos de pressões", reagiu Marco Aurélio Mello.
"O Supremo tem que estar acima dessas paixões passageiras. O tribunal tem que decidir à luz da razão, é a última trincheira que o cidadão tem para obter um resultado judicial justo”. completou Luiz Fux.

Pronunciam-se os Ministros como se fossem Deuses. Depois desses anos todos, e no limite de expirarem os prazos para julgamento desses "meliantes" do mensalão, há que se relevar que muitas eleições se passaram e, vários desses indivíduos permaneceram como mandatários ou entre eles, nos corredores das casas legislativas, ou ancorados em alguma mamata do Poder Executivo.
Em outra instância do Poder Judiciário, podemos citar como exemplo, o Prefeito de Cabo Frio, que, reeleito em 2008, foi processado por inúmeras irregularidades, dentre elas: corrupção ativa, improbidade administrativa, abuso de poder econômico, abuso de poder político, uso indevido de meio de comunicação, tendo sido gravado em 2008, oferecendo vantagens a um filiado do PT em troca de apoio político. Não obstante, ele continua exercendo seu cargo na Prefeitura à custa de 11 liminares e os processos, até agora 25/07/2012, não foram julgados. O que pensa a opinião pública sobre isso? Não interessa? E lembrando, ainda, que dois dos mais de 200 processos que correm contra o Prefeito estão nas mãos do Ministro Marco Aurélio:
PROCESSO:RESPE Nº 768719 - Recurso Especial Eleitoral UF: RJ
PROCESSO:RESPE Nº 36432 - Recurso Especial Eleitoral UF: RJ
A Ministra Eliana Calmon não falou nada demais: simplesmente ela referiu uma situação real: a opinião pública está acima de qualquer poder e é soberana. E digo mais: "a última trincheira (...) de um resultado justo..." está nas mãos do povo: nas urnas.




24/07 às 06h15


Corregedora do CNJ diz que STF será avaliado em julgamento do mensalão


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"A realidade que está retratada nos autos vai ser mostrada quando houver o julgamento. E é neste momento que o Supremo passa a ser julgado pela opinião pública", declarou antes de fazer uma palestra no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).
Segundo Eliana Calmon, o julgamento, com início previsto para 2 de agosto, vem criando uma expectativa muito grande na opinião pública. "Não é que ele, STF, vai se pautar pela opinião pública, mas todo e qualquer poder, no regime democrático, também se nutre da confiabilidade daqueles a quem ele serve", ressaltou.
Para a corregedora, o país vem passando por mudanças importantes, e a participação popular tem papel fundamental para que isso ocorra. "O que foi a Lei da Ficha Limpa, se não uma reação da população contra este movimento de pessoa sem qualificação para exercerem os cargos públicos?", indagou. "Foi o primeiro passo da indignação popular", completou Eliana.

O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.
No relatório da denúncia, o ministro Joaquim Barbosa apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.
Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.
O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.
Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

MINISTRA ELIANA CALMON: AMEAÇAS AO JUIZ TÊM QUE SER APURADAS

A ministra Eliana Calmon, do Conselho Nacional de Justiça, está empenhada em buscar os responsáveis pelas ameaças feitas ao juiz da 11ª Vara Federal de Goiás, Paulo Augusto Moreira Lima. Ela afirmou que o afastamento do Juiz não é um ato de covardia ou de temerosidade, mas deveu-se a questões de segurança pessoal e de sua família.
A magistrada lembra, ainda, que o fato não pode simplesmente "ser aceito" pelo Tribunal, mas que deve ser investigado e esclarecido.
Acompanhe.

Fato Notório - 20/06/2012

CNJ determina apuração de ameaças a juiz do “Caso Cachoeira”

20/06/2012 06h17
Ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça
Foto: Superior Tribunal de Justiça
   
A ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, afirmou que está apurarando as denúncias que narram suposta ameaça ao juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima (JF/GO). O magistrado – responsável pela ação penal na qual figura como réu o contraventor Carlos Augusto Ramos (Carlinhos Cachoeira) – renunciou ao processo em razão de ameaças contra si e sua família.

Conversa – Eliana Calmon já convidou o magistrado para que possa se inteirar de detalhes que motivaram o seu afastamento do caso: “Nós não podemos ter juízes covardes, nós não podemos ter juízes ameaçados, não podemos aceitar que ameaças veladas, físicas ou morais, possam impedir que a nossa magistratura desempenhe suas funções”, apontou Calmon.

A corregedora informou, também, que quer esclarecimentos do corregedor do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargador Carlos Olavo. A magistrada do CNJ quer saber se o pedido de renúncia foi “simplesmente aceito” ou se medidas foram tomadas: “Até o momento, se essas providências foram tomadas eu as ignoro”, complementou.

Novo Juiz – Nota emitida pela Agência de Notícias do CNJ apontam que a Corregedoria Nacional de Justiça investigará o juiz federal Leão Aparecido Alves – que poderá assumir o processo no qual Cachoeira é réu. Interceptações telefônicas da Polícia Federal identificaram ligação de um número de telefone do magistrado para um acusado de envolvimento com a quadrilha do contraventor.

Eliana Calmon adiantou que o magistrado declarou a um juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça que a ligação teria ocorrido quando o telefone estava em poder de sua mulher: “Se a interceptação telefônica indicar qualquer envolvimento de alguém íntimo do juiz Leão Aparecido, como sua esposa, com algum envolvido com a quadrilha o juiz não poderá estar à frente das investigações”, consignou a corregedora.

Contatos – O juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima já havia procurado Eliana Calmon antes da deflagração da “Operação Monte Carlo” – que culminou com a prisão de Cachoeira. O julgador teria dito que não estaria seguro na instrução da ação, em razão do envolvimento de “pessoas importantes, como políticos e empresários”.

Na época do contato com Eliana Calmon, parte das provas colhidas na ação penal foram desqualificadas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região: “O juiz disse estar preocupado por não se sentir seguro sequer perante os seus colegas”, revelou Eliana Calmon.

Após tais fatos, a Corregedoria Nacional de Justiça designou a ida de um juiz auxiliar a Goiás, bem como ofereceu apoio na condução dos autos. Eliana Calmon revelou que Paulo Augusto Moreira Lima não procurou mais o CNJ.